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A VIDA É ETERNA | CHARLLES NUNES


Estamos vivendo uma época sem paralelo na história do mundo. A cada semana, as notícias de que alguém faleceu devido à pandemia do Covid-19, chegam mais perto de cada família.

Na minha, já aconteceu. Entre meus amigos, também. E a possibilidade de que qualquer pessoa possa em breve partir dessa vida terrena, me motiva a expressar minha crença pessoal na continuidade da vida após a morte.

Espero que essa mensagem sirva de conforto e de consolo para todos os que têm parentes internados em hospitais, e principalmente, para aqueles que vivem os dias difíceis que sucedem ao falecimento de um ente querido.

Sobre a Liberdade de Acreditar

A continuidade da vida após a morte, o propósito da vida, e mesmo a possibilidade da existência antes de virmos habitar nessa Terra, são narrativas que chegam a cada um de nós de acordo com os estudos de pessoas que nos antecederam.

Essa crença se organiza de uma ou outra forma, de acordo com as narrativas que escolhemos acreditar. E que cada pessoa siga os ditames de sua consciência e professe uma fé distinta, é um direito que todos devemos respeitar e buscar defender - mesmo que distoe completamente do que acreditamos.

De forma pessoal, eu acredito na existência de um Deus atento e inteligente, que tem uma perspectiva muito mais ampla do que o mais inteligente dos mortais que já habitaram essa Terra.

Também acredito que a relação entre ele e a humanidade é a de um Pai amoroso para com seus filhos. Assim sendo, Ele tem um plano especial que permite o progresso de cada um de nós, através das escolhas que fazemos nessa vida.

(Sobre as recompensas ou punições após essa vida, de acordo com a maneira que vivemos, já não cabe no escopo dessa mensagem.)

Os Três Atos de Uma Mesma Peça

Pelo que estudo e acredito, nós somos seres eternos, que estamos vivendo uma segunda fase da nossa experiência. A primeira, foi antes de nascermos nessa Terra, como espíritos inteligentes. Após a morte do nosso corpo físico, nosso espírito continua sua jornada, por eras sem fim.

Em outras palavras, nem o nascimento representa nosso real começo, nem a morte representa o nosso fim. São apenas os limiares da nossa existência terrena.

O quanto progredimos aqui, depende de uma série de fatores. Pela minha experiência de vida, posso dizer que a maioria das pessoas que conheci são pessoas de boa índole, que buscam fazer a parte delas para facilitar e alegrar a vida dos que a rodeiam.

Ainda assim, passamos por muitos momentos de incerteza, e de dúvida sobre o futuro. O desemprego, as doenças, as ofensas de toda ordem, tudo isso se torna um pouco menor quando somos confrontados com um dos maiores desafios que o ser humano pode imaginar: a perda de um ente querido.

Já enfrentei esse desafio mais vezes do que eu gostaria. No entanto, é uma experiência que faz parte da vida.

Meu pai faleceu, eu tinha apenas doze anos. Mesmo tendo sentido muito a falta dele - principalmente durante a adolescência - compreendi que muitas outras pessoas viviam um desafio semelhante.

Depois, foi minha mãe. Eu já estava casado, e minha esposa e filhos foram meu amparo nesse momento difícil.

Mas nada disso me preparou para o que estava por vir. Em 2010, nossa filha caçula adoeceu, e depois de meses em busca de ao menos um diagnóstico, precisamos tirar forças de onde não havia mais forças, para dizer adeus.

Ou, de acordo com nossa esperança em Jesus Cristo e nos ensinamentos dele, demos um 'até logo' mais prolongado.

Nos meses que se seguiram, além de estudar, orar, resolvi escrever um livro para homenagear a memória da nossa filha, e quem sabe diminuir a dor da saudade. Escrevi 'Simplesmente Poliana' em cerca de três meses, e sou profundamente grato por tê-lo feito.

Por Que é Tão Difícil Dizer Adeus

Eu trabalho como professor em um curso de idiomas. Assim, tenho contato presencial e online com dezenas de pessoas, todos os dias.

Não raro, um aluno ou aluna chega pra mim e diz:

- Tio, minha mãe (ou pai, ou tia, etc) foi internada, e agora está na UTI.

Desde o início da pandemia, tenho recebido esse tipo de notícia. E a cada vez, minha família e eu nos propomos a orar pela pessoa hospitalizada, e pela família.

Na maioria das vezes, o doente se recupera e volta pra casa. Somos comunicados, e vibramos com a família.

Mas em alguns casos, acontece o contrário. Recebemos a notícia do óbito, e partilhamos a tristeza das pessoas que amamos.

Refletindo sobre essas experiências que meus amigos enfrentam, e pensando nas que eu mesmo já vivi, busco os motivos que levam a tanto sofrimento na hora da separação.

Encontrei alguns:

1) Parece que ninguém merece morrer. A morte parece uma pena que deve ser infligida a quem tem algum tipo de culpa - alguém que causou um grande mal aos seus semelhantes. Assim, como entender o falecimento de uma criança, ou mesmo o sofrimento de uma pessoa inocente?

2) A ausência física, a impossibilidade de se comunicar com a pessoa que se foi. Em alguns casos, sem ao menos ter a oportunidade de se despedir.

3) A ideia de que a pessoa é o corpo - que nos serviu de referencial por tantos anos - e de que ela será extinta numa cova fria e escura. A ideia de que de alguma forma aquela pessoa vai se tornar um nada, ou apenas um esqueleto que veremos na época da exumação.

Essas ideias produzem sentimentos muito fortes, que experimentamos de forma visceral. Nossos sentidos nos contam uma história muito diferente do que aquela que escolhemos acreditar em virtude da nossa fé.

Quando cheguei do funeral da minha filha, me tranquei no banheiro, me ajoelhei e estendi minhas mãos para o céu. Eu disse apenas uma frase:

- Vai em paz, Poli!

No mais, foi choro mesmo. Eu queria que ela soubesse que nós iríamos continuar a jornada, sem cobrar a presença dela conosco. Que nossa crença de um possível reencontro seria nosso alento nos anos vindouros.

E lá se vão dez anos desde esse dia.

Uma Crença Dentre Tantas Outras

Dito isso, espero que você me veja como um semelhante seu. Uma pessoa que sofre, que se esforça por acertar, e que erra muitas e muitas vezes. Também, uma pessoa que busca desfrutar as pequenas alegrias da vida: a comida, a bebida, o esporte, o serviço.

Ciente de que tenho a liberdade de estudar, aprender, questionar e escolhe no que acreditar - e que você tem essa mesma liberdade, gostaria de compartilhar minha crença:

Acredito que a vida é eterna, e que ao passarmos para o outro lado do véu, nossa perspectiva irá se ampliar de modo que jamais imaginamos. Que essa perspectiva nos trará uma grande calma e paz, sabendo que o tempo de provação terrena terminou, e que no final, valeu a pena.

Acredito que Jesus Cristo fez o que disse que faria. Que ele ressucitou numa manhã de domingo, e que ao fazê-lo, quebrou as cadeias da morte em favor de todos os seres que já viveram ou que ainda viverão sobre a Terra.

Tenho uma grande esperança - pelo que estudei e senti - de que um dia poderei rever meus pais e minha filha, e também todos aqueles amigos que conheci nessa vida. Acredito também que meus antepassados terão um pouco de alegria em saber que eu nasci na linhagem deles, e que poderemos fazer muitas coisas interessantes juntos.

Espero que a sua crença - seja ela qual for - te traga esperança e conforto para enfrentar essa época difícil.

Independente da igreja que você frequentar, ou do seu ponto de vista religioso ou filosófico, torço com toda a energia do meu coração que você consiga demonstrar empatia pelos que acreditam de forma diferente da sua. Que você consiga sentir ao menos um pouco a dor do seu semelhante, quando ele expressá-la perto de você.

Para concluir, vou relatar uma experiência que considero sagrada...

Um amigo meu foi informado de madrugada sobre o falecimento da filha, num acidente de automóvel.

Ele ligou pra mim, e eu fui imediatamente encontrá-lo.

Lá chegando, ele me contou alguns detalhes do ocorrido, e se sentou para retomar o fôlego. Nesse momento, ele me pediu para fazer uma oração por ele. (Essa oração se chama 'bênção de conforto'.)

Assim que coloquei minhas mãos sobre a cabeça dele, de olhos fechados, imaginei a dor que aquele amigo estava passando. Ele já tinha perdido um filho no ano anterior, e agora teria que fazer todos os procedimentos para preparar o funeral da filha.

De um modo que não consigo explicar, senti um pouco do que ele estava sentindo. E obviamente, choramos juntos. Choramos sem pressa.

Depois que retomei o fôlego, proferi então a bênção de conforto. E dali, saímos para fazer os preparativos para o funeral.

De certo modo, ele sabia que estávamos juntos no mesmo barco.

Se você estiver passando um momento desses, por favor, fique à vontade para me mandar uma mensagem pelo WhatsApp. (24 99954 1608)

Caso queira, podemos conversar um pouco, e fortalecermos nossa esperança mútua. Ou ao menos você terá um amigo pra te ouvir, a qualquer hora do dia ou da noite.

Que você tenha um pouco de paz, uma paz que transcende o entendimento, vinda do Consolador conforme foi prometida por nosso Salvador.

E compartilho contigo essa minha esperança, no sagrado nome de Jesus Cristo. Amém.
Charlles Nunes
Enviado por Charlles Nunes em 01/06/2021
Alterado em 26/06/2021
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